O PENSAMENTO PRÉ-SOCRÁTICO

SOBRE O PENSAMENTO PRÉ-SOCRÁTICO:

01 – QUAIS OS PRINCIPAIS CARACTERISTICAS DO PERÍODO; 

02 – RESUMA O MOBILISMO E A DIALÉTICA DE HERÁCLITO; 

03 – RESUMA O CONCEITO DE SER EM PARMÊNIDES. 

01 – Quais os principais características do período: os filósofos deste período se preocuparam quase exclusivamente com os problemas cosmológicos. Estudar o mundo exterior nos elementos que o constituem, na sua origem e nas contínuas mudanças a que está sujeito, é a grande questão que dá a este período seu caráter de unidade. Pelo modo de a encarar e resolver, classificam-se os filósofos que nele floresceram em quatro escolas: 1ª escola jônica (o universo estático); 2ª escola itálica (o universo ígneo); 3ª escola eleática (o universo imutável); 4ª escola atomística (o universo mecânico);


02 – Resuma o mobilismo e a dialética de Heráclito: Heráclito (535-475 a.C.) pertenceu à escola jônica, porém aos jônicos posteriores, isto é, aqueles que se distinguiram dos primeiros, em razão de virem cronologicamente depois e, sobretudo, por imprimirem outra orientação aos estudos cosmológicos, encarando o Universo no seu aspecto dinâmico e procurando resolver o problema do movimento e da transformação dos corpos. Na busca pela arché (princípio universal), H. afirma a mutabilidade de todas as coisas, o panta rei, panta rei,pois tudo se acha em perpétuo fluxo, a realidade está sujeita a um vir-a-ser contínuo. E como de todos os elementos, o móvel por excelência é o fogo, do fogo fez H. o princípio fundamental de todas as coisas. É a inda a preocupação dos antigos jônios de determinar um elemento único, como origem comum de todos os seres. Na dialética heraclitiana se encontra o processo de dois elementos que ora se fundem e se tornam um terceiro elemento, distinto dos dois primeiros, como ele mesmo expôs em relação ao fogo. No princípio era o fogo, que se identifica com a divindade, por um processo natural, do fogo (em oposição a ele) teve origem o mundo; por um processo de“extinção”transformou-se em água e depois em terra. Por um novo processo de “ascensão”, a terra volta a ser água e a água tora a fogo. Assim a “luta”separa os elementos , e a “concórdia” tende a reconduzi-los ao fogo donde provieram. Nestas vicissitudes em que a luta vai demolindo o trabalho da concórdia, o triunfo final caberá à concórdia. Mas então intervirá a divindade, construindo um novo mundo, em que as duas forças antagônicas entrarão de novo em ação.


03 – Resuma o conceito de ser em Parmênides: Parmênides (530-444 a.C), pertenceu a escola dos eleatas, que firmaram o universo no panteísmo idealista, em oposição ao panteísmo naturalista das escolas precedentes; discípulo de Xenófanes, é metafísico e distingue duas ordens opostas de conhecimento: a sensitiva que nos leva à opinião (enganadora, ilusória) e a intelectual (fundada na evidência dialética, nos conduz à verdade). Enquanto que a primeira é percebida pelos sentidos, que dão conta do mutável, do múltiplo, do contingente; a segunda somente é alcançada pela razão, que capta o âmago de todas as coisas numa realidade única: o ser (ou ente). Esse ente, não podendo vir do não-ente (ex nihilo nihil), ´euno, eterno, ingênito, imóvel, indivisível, imutável, homogêneo, contínuo e esférico (esfera, figura perfeita). O mundo fenomenal não passa de uma ilusão captada pelos sentidos. Nas sua cosmologia do aparente, P. ensina que todas as coisas são compostas de dois princípio: luz-trevas, calor-frio, isto é, de fogo e terra.

Fonte usada:
http://jaueras.blogspot.com/2012/04/o-pensamento-pre-socratico.html

Teoria do Demócrito

Para Demócrito é impossível o não ser. O ser é pleno, o não ser é o vazio.

As coisas nascem quando se juntam e a morte é a separação das coisas. O que origina as coisas reais é um infinito número de corpos que são invisíveis porque tem um volume muito pequeno. Esses corpos são os átomos que em grego significa não divisível. Eles não são divisíveis porque se fossem divisíveis ao infinito eles iriam se dissolver no vazio. Os átomos são naturalmente indestrutíveis, não criados e imutáveis. Os átomos não se diferenciam quanto à qualidade, todos eles são igualmente um ser completo, o que os diferencia é a forma ou a figura geométrica que eles assumem. São diversos entre si como as letras do alfabeto, mas podem formar diversas palavras e discursos através das suas combinações.

O átomo tem uma forma originária e única. A forma do átomo também é indivisível. O que diferencia um átomo dos outros é a sua figura, a sua posição e a sua organização. Esses três elementos que distinguem um átomo do outro podem assumir variações infinitas. Os nossos sentidos não conseguem perceber o átomo, mas a nossa inteligência consegue conhece-los. Eles são eternamente contínuos o por isso diferente dos outros corpos que são a junção de diferentes e diversos átomos. A qualidade de todos os corpos depende da forma e da ordem dos átomos que os compõem.

Os átomos possuem qualidades próprias como movimento, número, dureza e forma, mas cor, sabor, odor, calor e frio são aparências que provocam sensações em nossos sentidos mas não pertencem aos átomos. Os átomos provocam essas essas qualidades objetivas devido à suas combinações.

Os átomos são espontaneamente animados, eles se chocam ou se ricocheteiam entre si, gerando o nascimento a morte ou a mudança das coisas. As leis que regem o movimento dos átomos são imutáveis. O movimento dos átomos é giratório e eles ao girar chocam-se em todas as direções produzindo um vértice, nesse movimento as partes mais pesadas vão para o centro e as mais leves vão para a periferia. No movimento vertical os átomos mais pesados descem empurrando os átomos mais leves para cima. Através desse movimento são gerados infinitos mundos que se criam e se dissolvem também infinitamente.

O conhecimento também é explicado através desse movimento. A imagem que emana do átomo produz nas pessoas uma sensação, essas sensações são percebidas através do tato que é gerado pelo contato dos átomos com o corpo das pessoas. Mas mesmo com essas possibilidades para Demócrito nosso conhecimento ainda é limitado. Além de limitado o conhecimento modifica de pessoa para pessoa e vai depender também das circunstâncias. Esse conhecimento não nos dá um critério incontestável para definirmos a verdade e a falsidade. Podemos chegar a um conhecimento mais aprofundado dessa realidade utilizando o conhecimento racional que é uma ferramenta mais sensível que possuímos. Através do conhecimento racional pode ser distinguida a aparência da realidade.

A Ética

A concepção de ética em Demócrito não tem relação com as suas concepções físicas. Para ele o mais nobre bem que o homem pode alcançar é a felicidade. Essa felicidade não está no possuir as coisas, na riqueza. A felicidade mora somente na alma. A justiça e a razão é que nos tornam felizes. Somente através da razão vamos conseguir superar o medo da morte. Os excessos perturbam a alma do homem pois geram nele movimentos muito fortes. Os excessos geram movimentos de um extremo ao outro criando a inconstância e o descontentamento no homem. A alegria espiritual não está ligada ao prazer que não é em si mesmo um bem. O que é realmente necessário vai vir do belo. Devemos respeitar a nós mesmos antes de qualquer coisa.

Demócrito condenava o matrimônio porque este se fundamenta nas relações sexuais e as relações sexuais reduzem o domínio que o homem tem de si mesmo. Condenava o casamento também porque a educação dos filhos diminui a dedicação ao trabalho.

Sentenças:

– Fama e riqueza sem inteligência não são posses seguras.

– A palavra é uma sombra das ações.

– O homem é um pequeno mundo.

– Para mim um homem vale tanto quanto uma multidão e uma multidão tanto quanto um homem.

– É sinal de alma elevada suportar os excessos dos outros.

– Quem cede diante do dinheiro não será jamais um homem justo.

– O ignorante pensa sempre que não tem o que ele não conheça.

– Tudo que existe no universo é fruto do acaso e da necessidade.

– Não por medo, mas por obrigação, temos que nos distanciar dos erros.

– É adequado cedermos diante da lei, diante do governante e diante do mais sábio.

– Para persuadirmos muitas vezes a palavra é mais funcional do que o ouro.

– Muitos dos que cometem as ações mais vergonhosas argumentam com as melhores razões.

– Em matéria de virtude é necessário esforçar-se por fatos e atitudes e não por palavras.

– A quem tem um jeito de ser ordenado a sua vida resulta ser ordenada.

– É arrogância querer falar de tudo e não querer ouvir nada.

– Viver não vale a pena para quem não tem um bom amigo.

– A música é a mais jovem das artes, porque não é feita por necessidade, mas surge do supérfluo.

– O melhor para o homem é passar a vida o mais contente e o menos aflito possível. Isso seria possível se os prazeres não se baseassem em coisas passageiras. 

– Os homens em sua fuga da morte a vai perseguindo.

– Uma vida sem festas é um longo caminho sem repouso.

– Discreto é aquele que não se aflige com o que não tem, mas se alegra com o que tem.

– Nada existe além de átomos e do vazio.- O animal é tão ou mais sábio do que o homem: conhece a medida da sua necessidade enquanto o homem a ignora

Fonte: http://www.filosofia.com.br/historia_show.php?id=19

Teoria do Empédocles

Pensamentos e Teoria

A partir de seus estudos, Empédocles se destacou na filosofia, retórica e oratória com diversas ideias ecléticas sobre o mundo e a realidade.

Seus pensamentos influenciaram importantes filósofos gregos como Aristóteles e Platão.

Ainda que não tenha feito parte de nenhuma escola filosófica, Empédocles se aproximou da Escola Jônica, a primeira escola filosófica grega.

No entanto, ele difere dos primeiros filósofos os quais tentavam compreender a natureza elegendo somente um elemento primordial.

Ou seja, para Empédocles, a origem do universo somente poderia ser explica pela união de vários elementos.

Assim, segundo ele, os elementos primordiais e indestrutíveis que geram todas as coisas são o fogo, a água, o ar e a terra.

Na teoria do filósofo, cunhada de “Teoria dos Quatro Elementos”, esses elementos seriam misturados de acordo com dois princípios universais opostos: o amor (philia), que leva a harmonização; e o ódio (nekos), associado com a separação.

Assim, o amor seria responsável pela força de atração, enquanto o ódio, pela força de repulsão. Essas duas forças cíclicas, antagônicas e cósmicas geradas pelos dois princípios revelariam toda a realidade e as coisas existentes no mundo.

Frases

As frases abaixo revelam alguns dos pensamentos de Empédocles:

  • Quatro raízes de todas as coisas: fogo, ar, água e terra.”
  • Deus é um círculo em que o centro está em toda parte e o acesso é por nenhuma parte.”
  • Se você exige só obediência, então você juntará em volta de si mesmo somente bobos.”
  • O que não se aplica de acordo com a lei está ligando não somente para algumas pessoas e para outras não. A lei estica-se para todos, por todo o ar penetrante e a luz sem limite do céu.”

Teoria do Xenófanes

O pano de fundo da filosofia de Xenófanes de Colofão é a crítica à concepção dos deuses fixada de modo paradigmático por Homero e Hesíodo, própria da religião tradicional e do homem grego em geral. O antropomorfismo (forma de homem) da religião grega é um erro e um absurdo que a crítica do filósofo quer superar. Não tem sentido crer que os deuses e o divino em geral têm aspecto, forma, sentimentos, tendências totalmente iguais aos dos homens, por mais nobres que sejam.

“Se os bois, os cavalos e os leões tivessem mãos ou pudessem pintar e realizar as obras que os homens realizam com as mãos, os cavalos pintariam imagens dos deuses semelhantes a cavalos, os bois semelhantes a bois, e plasmariam os corpos dos deuses semelhantes ao aspecto que tem cada um deles”

“Os etíopes dizem que os deuses são negros e têm nariz achatado, os trácios dizem, ao invés, que têm olhos azuis e cabelos ruivos”.

Portanto, os deuses não têm e não podem ter semelhança humana; é menos ainda pensável que tenham costumes humanos e, sobretudo, cometam ações ilícitas e nefastas, como diz a mitologia. Analogamente, segundo ainda Xenófanes, é impossível que os deuses nasçam, pois se nascem, também morrem. Nem também se movam ou desloquem de um lugar para outro, permanecendo, assim, sempre imóvel.

“Sempre no mesmo lugar permanece sem mover-se absolutamente, mas se lhe atribui o deslocamento, ora para um lugar, ora para outro”.

DEUS É O COSMO. “O universo é uno, deus, sumo entre os deuses e os homens, nem por figura nem por pensamento semelhante aos homens”.

“Todo inteiro vê, todo inteiro pensa, todo inteiro ouve”.

A física de Xenófanes é semelhante a dos jônicos em relação ao princípio de tudo. Em alguns fragmentos ele admite ser a terra, em outros, a terra e a água a origem e o fim de todas as coisas.

A importância de Xenófanes se deve ao fato de inaugurar um modo de pensar a unidade como totalidade, do movimento como ilusão e da separação entre o percebido e o refletido. Suas ideias terão acabamento na escola eleática, cujo maior expoente foi o famoso Parmênides.

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/xenofanes.htm

Teoria do Pitágoras

O Grande Mestre, como era chamado por seus discípulos, nasceu em Samos, uma pequena ilha próxima à região da Jônia (parte asiática das colônias gregas), mas fundou sua escola (Escola Itálica) na região da Magna Grécia, atual sul da Itália. É a ele que atribuímos a invenção da palavra Filosofia. É também o criador do famoso Teorema de Pitágoras (que revela que em um triângulo retângulo, o quadrado da hipotenusa – maior lado – é igual à soma dos quadrados dos catetos – os outros lados que formam 90º).

Pitágoras, que viveu no séc. V a.C., é classificado na história da filosofia como um pré-socrático por também atribuir um princípio que origina toda a realidade. Sua escola desenvolveu uma linha de pensamento que se estendeu de Filolau, Árquitas e Platão até Galileu, Giordano Bruno, Leibniz, Kepler e Newton: a de que a realidade é composta por números.

Para Pitágoras e seus seguidores, a Natureza é constituída de um sistema de relações e proporções matemáticas derivadas da Unidade (que ele concebia como sendo o número 1 e a figura geométrica ponto). Desta, surgia a oposição entre números pares e ímpares que se desdobravam em figuras geométricas como superfície e volume para produzir a realidade visível. As várias combinações entre estes elementos apareciam aos nossos sentidos como qualidades contrárias, como quente-frio, seco-úmido, claro-escuro, duro-mole, etc.

Segundo Pitágoras, o pensamento alcança a realidade em sua estrutura matemática enquanto os sentidos alcançam o modo como esta estrutura aparece para nós. Os pitagóricos foram os primeiros a cultivarem as matemáticas de modo sistemático, notando que todos os fenômenos naturais são traduzíveis por relações numéricas e representáveis de modo matemático. Perceberam também que a música (foi Pitágoras quem descobriu as 7 notas musicais) obedecia leis de harmonia matemática e que também o universo, natural e humano, se submetia a essas leis (cada número representava uma característica ou uma qualidade, como justiça, amor, Deus, etc.).Não pare agora… Tem mais depois da publicidade 😉

Hoje, o número é considerado como uma abstração da mente, um ente da razão. Mas para os antigos eles eram a própria coisa, o ser real em sua unidade básica constitutiva, sendo, pois, um princípio originário.

Os ciclos da natureza, das estações do ano e etc. eram também subordinados à lei numérica. A partir disso, Pitágoras foi levado a pensar que a alma também obedece a esses ciclos, criando assim a teoria da reencarnação cíclica, da qual hoje a religião cristã espírita é seguidora, bem como a budista é semelhante. Nelas, a reencarnação é um processo natural que obedece uma ordem cósmica cíclica para expiação (penitência ou castigo) de uma culpa original. Há também a Metempsicose que o Grande Mestre possuía como um dom de transmigração da alma, isto é, poderia concentrar de tal modo o pensamento que a alma sairia do corpo e viajaria a qualquer lugar do universo.

É curioso notar que, apesar do pensamento pitagórico assemelhar-se a uma síntese entre filosofia e religião, a catarse ou purificação das expiações da alma em seus ciclos reencarnatórios era realizada a partir da busca do conhecimento da verdade. Seu misticismo vigora ainda hoje nas seitas espíritas, mas também naquelas que mais problemas criaram à Igreja Católica durante a história: a maçonaria, da qual faziam parte grandes pensadores (como Leonardo Da Vinci) que usavam o conhecimento matemático para descrever e construir a realidade do mundo, mas que permaneciam crentes na Unidade que originava todo o universo, Unidade a qual atribuíram à divindade, sendo, portanto, a clássica categorização de DEUS-UNO (fundamento do monoteísmo, ou seja, que Deus é um só).

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/pitagoras-1.htm

Teoria do Anaxágoras

Anaxágoras nasceu na cidade jônica de Clazômenas por volta do ano de 500 a.C. Afirmou que a Natureza é eterna e por isso não pôde ser nem criada e nem pode ser destruída. Fazia parte daqueles que acreditavam em uma pluralidade de elementos constituintes dos seres.

Conforme Anaxágoras, cada coisa surge quando vários elementos se agregam, e desaparecem quando esses se separam. Ele pensava que as coisas ou seres eram compostos com qualidades semelhantes que, ao serem divididas ao infinito, se repetiam em cada porção. A esses elementos-qualidades, que associadas geram o ser, Anaxágoras chamou de Noûs (espírito, pensamento, inteligência).

Noûs é o princípio ou arché de todas as coisas. É ele que fornece as leis do pensamento que se sobrepõe aos sentidos para conhecer e governar o universo. É preciso entender que o pensamento está nas coisas também, não é algo separado delas. Tudo tem causa e essa é sempre natural, física, ainda que o espírito aqui seja concebido materialmente.

Por exemplo: em um fio de cabelo, por menor que seja a partícula que o divide, nela contém todos os elementos do universo. “Tudo está em tudo”, afirmou Anaxágoras. E com isso, o Noûs é a matéria, a substância que causa tanto a agregação quanto a separação dos elementos que constituem os seres.

Por seu pensamento inovador, Anaxágoras foi acusado de impiedade (não crer nos deuses) e condenado à morte, mas conseguiu fugir antes de ser pego. Os deuses eram descartáveis, segundo o filósofo, justamente porque o essencial para que cada coisa existisse já estava contido no Noûs.

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/anaxagoras.htm

Teoria Parmênides

Nascido por volta do ano de 515 a.C., na cidade de Éleia, ao sul da Magna Grécia (Itália), Parmênides é considerado pelos historiadores da Filosofia como o pensador do imobilismo universal.

Em seu poema, Parmênides narra o que disse ter ouvido das musas que por uma carruagem puxada por corsas, conduzem-no à luz da verdade (alethéia). A verdade é, pois, o caminho do pensamento, já que o ser, o que existe é tudo aquilo que pode ser pensado. Dessa forma, o que não é, o não ser, o que não existe, não pode ser pensado nem, portanto, dito, sendo este um caminho ilusório.

A via da verdade é o pensamento que Parmênides identifica com o ser. Mas o ser para existir tem de ser dito, logo, há uma identidade entre SER, PENSAR E DIZER. Sendo a verdade exclusiva dos deuses, entre os mortais há a via da opinião (dóxa), causada pelas ilusões dos nossos sentidos.

Hoje podemos dizer que a ontologia (estudo sobre o ser) de Parmênides refere-se a uma lógica material, como se o discurso estivesse compactado à experiência física. Assim, podemos ver porque ele disse que “o ser é, o não ser não é”. O filósofo apontava para unicidade do ser acreditando que toda forma de movimento era ilusória (e só Newton, no séc.XVIII, com a física conseguiu resolver esse problema!).

Parmênides julgava o ser uno, imóvel, indestrutível, ingênito (isto é, incriado, não nascido, não gerado) e eterno. Segundo seu modo de pensar, o não ser, o nada não existe e não pode ser nem dito nem pensado. Portanto, o ser não pode ter surgido, porque ou teria surgido do nada, o que é impossível, ou teria surgido de outro ser, justificando que o ser já era e sempre será; logo, é eterno. Nem também o ser pode se movimentar, pois se se altera (o movimento em grego era tido como deslocamento, crescimento, diminuição e alteração) será outro ser, mesmo continuando a ser e, por isso, dois seres são impensáveis, apenas um ser é pensável. E se não foi criado, nem gerado, também não pode ser destruído, já que se destruído, algo ficará e assim permanecerá sendo.Não pare agora… Tem mais depois da publicidade 😉

Por mais que se possa acreditar que Parmênides seja o iniciador da lógica, sua lógica ainda é vinculada à ontologia, isto é, ao ser, não podendo ser considerada formal. Em linguagem moderna, poderíamos dizer que Parmênides fala da MATÉRIA, amorfa, de modo geral e que tudo o que existe é matéria, não podendo existir o vácuo nem o vazio. E que apesar das suas mudanças em vários elementos, substâncias, coisas e pessoas, ela, a matéria, é o princípio uno e total, causa de toda a realidade.

Pode-se também pensar que a filosofia de Parmênides, isto é, a do imobilismo universal ou teoria do repouso absoluto, foi usada pelas tradições religiosas (principalmente a cristã) para descrever Deus e o céu. Notem que, em geral, os mortos são enterrados com máximas que dizem: “Aqui jaz (repousa) fulano…”. Deus seria esse princípio Uno e Todo sem partes divididas ou vazias que deveria ser compreendido, através do pensamento, como princípio de todo o conhecimento. É também interessante notar como a identidade entre SER e PENSAMENTO e LINGUAGEM, de Parmênides também associa-se com a tradição do Antigo Testamento. Neste, Deus se revela como o VERBO. Em grego, o verbo é o LÓGOS, é palavra, discurso e razão. E se para Parmênides o lógos é também o pensar e o ser, então é a divindade que fala e que fornece a base para conhecermos, isto é, a via da verdade é a razão, o lógos divino. Por isso, Parmênides concebe o ser de forma circular, pois é, entre os gregos, a forma da perfeição.

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/parmenides.htm

Teoria do Heráclito

Para Heráclito de Éfeso, nascido por volta de 540 a.C., tudo o que existe está em permanente mudança ou transformação. A essa incessante alteração deu o nome de DEVIR.

O mundo, segundo Heráclito, é um fluxo permanente em que nada permanece idêntico a si mesmo. Tudo se transforma no seu contrário. “A guerra é mãe e rainha de todas as coisas”. É da luta entre os contrários, ou seja, do devir, do tornar-se, do vir-a-ser, que eles se harmonizam numa unidade. O Lógos (razão, discurso sobre o ser) é mudança e contradição.

Isso significa que a verdade é dialética, isto é, as palavras dizem as coisas em sua eterna transformação. Os nossos sentidos enganam-nos, pois enxergamos as coisas imóveis, estáveis, com uma forma própria e determinada. Porém, nosso pensamento capta a instabilidade e mutabilidade dos seres. “É impossível entrar no mesmo rio duas vezes”. As águas já são outras e nós já não somos os mesmos.

É na síntese entre os pares de contrários (o dia que se torna noite que se torna dia novamente; a vida que se torna morte e vice-versa; o quente que se torna frio e o frio que se torna quente; o seco que umedece, o úmido que seca, etc.), da multiplicidade contraditória que surge a unidade dialética que nos permite algum conhecimento, ainda que passageiro.

O Obscuro, como era conhecido Heráclito, concebeu o FOGO como o princípio eterno que causa a mudança e concebe Deus como a harmonia ou síntese entre os contrários. É uma concepção de realidade que permite compreender o mundo somente no seu devir e na unidade dos opostos. Quer dizer que a doença torna valorosa a saúde e que jamais entenderíamos o significado da justiça se não houvesse a ofensa. O sentido, o significado está na harmonia, na conciliação entre os vários pares de contrários.Não pare agora… Tem mais depois da publicidade 😉

Por isso, é muito provável que a imagem do inferno criada pela Igreja Católica e pelos artistas ocidentais tenham referência à filosofia heraclitiana. Isso porque o fogo que significa mudança, instabilidade se opõe radicalmente ao ar que representa o céu, o repouso em que Deus é fonte confiável do conhecimento e da ordem.

Por isso também, em geral, os movimentos contra a ordem estabelecida no decorrer da história (como o comunismo contra o capitalismo; o rock contra a sociedade consumista e alienada, o feminismo, etc.) fazem reverência à mudança, ao vermelho (fogo) e ao diabo, pois sua intenção é promover a instabilidade contra os sistemas.

É interessante observar como a filosofia de Heráclito permanece atual. No que se refere à matéria, essa é mutável e concebida pelos cientistas como eternamente em transformação (como afirmou o químico Lavoisier no século XVIII, “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”). A atualidade de seu pensamento também pode ser observada no Princípio da incerteza de Heisenberg, físico que ajudou a desenvolver a mecânica quântica no século XX, que diz ser impossível afirmar com exatidão a posição de um elétron em um átomo em razão da metodologia de aferição.

Também podemos observar o Devir em nosso próprio metabolismo, pois constantemente estamos incrementando matéria ao nosso corpo (alimentação que permite o crescimento) e o desgaste físico com a idade (que é a perda de matéria).

Assim, concebe-se o pensamento de Heráclito como a base do materialismo, ou seja, da filosofia que concebe como unicamente existente, em todos os níveis, a matéria.

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/heraclito.htm

Teoria do Anaximandro

Discípulo e concidadão de Tales, de quem foi discípulo, Anaximandro (610 a 547 a. C.) foi geógrafo, matemático, astrônomo e político. Sabe-se que escreveu uma obra intitulada Sobre a Natureza que foi considerada a primeira obra filosófica escrita na língua grega. E, como as demais obras dos pré-socráticos, foi perdida, restando somente fragmentos citados por filósofos e escritores que o sucederam. Como dado de curiosidade vale dizer que foi o iniciador da astronomia grega.

A princípio temos a concepção de que foi quem ampliou a concepção talesiana propondo uma lei universal governa a totalidade do cosmos. Mas, o que importa é pensar em que medida podemos ter o pensamento de um filósofo que sequer temos a obra em mãos como algo relevante para nosso tempo ou para nossa reflexão atual. Afinal, vivemos em uma época em que as coisas possuem um caráter pragmático. Embora, não seja nessa linha que será conduzida a reflexão. Pois, procuraremos encontrar o valor filosófico do que nos legou Anaximandro de Mileto.

Anaximandro, segundo Simplício, foi quem primeiro apresentou o termo “princípio” à filosofia e quem tirou dos elementos o caráter de fundamento de tudo. Ao contrário de seu mestre Tales, o princípio não está no elemento, mas em algo cuja natureza é ilimitada, o ápeiron. Não é o elemento em mudança o causador deste. O causador é algo fora que age nos quatro elementos separando-os seus “contrários por causa do eterno movimento” (Simplício, Física, 24, 13 (DK 12 A 9)).

Aristóteles na sua Física postula que tudo que possui um caráter de princípio também tem um fim; e é por esse motivo que o ilimitado, ápeiron, por não ter limite e, portanto, fim, deve ser o elemento a governar as coisas. Quando Aristóteles afirma que Anaximandro, tal como Anaxágoras e Empédocles, concebe que “não tem princípio, mas parece ser princípio das demais coisas e a todas envolver e a todas governar, como afirmam os que não postulam outras causas além do ilimitado” (Fisica, III, 4. 203 b 6 (DK 12 A 15)), parece dar um caráter ilógico ao filósofos a que se refere, por o postulado dos filósofos anteriores não serem baseados no desencadeamento causal. Aristóteles mesmo concebeu como princípio das coisas o “motor imóvel” que move tudo e não é movido por ninguém, pois logicamente seria inconcebível voltar de causa em causa ao infinito.

Mas, poderia ser a filosofia de Anaximandro uma irracionalidade ao afirmar uma forma de geradora das coisas e principia, sem necessariamente ser um princípio, pois teria um caráter de completude? Lembrando que para o mundo grego, o que é eterno e ilimitado é algo que não corrompe, visto que não teve princípio nem fim e poderia ser simbolizado por um círculo que é por si mesmo completo.

Antes de refletirmos acerca da afirmação de Anaximandro, cabe nos deter no que dois filósofos mais recentes disseram: Nietzsche e Heidegger. O que nos interessa é o resultado de suas afirmações. Determo-nos em suas argumentações exigiria não um texto, mas praticamente um tratado, o que não é nosso foco aqui. Dito isso, nos focaremos no resultado que tem como ponto principal de divergência a tradução do fragmento que implicará no resultado do que pode ter intentado dizer o próprio filósofo em questão.

Antes de nos remeter às traduções dos dois filósofos alemães, segue uma tradução possível feita a partir da obra de Simplício, talvez com uma literalidade maior:
“(Em discurso direto:) … Princípio dos seres… ele disse (que era) o ilimitado… Pois donde a geração é para os seres, é para onde também a corrupção se gera segundo o necessário; pois concedem eles mesmos justiça e deferência uns aos outros pela injustiça, segundo a ordenação do tempo” (Simplício, Física, 24, 13)

Nietzsche, cuja formação principal foi em filologia, traduziu do seguinte modo:

“De onde as coisas têm seu nascimento, ali também devem ir ao fundo, segundo a necessidade; pois têm de pagar penitência e de ser julgadas por suas injustiças, conforme a ordem do tempo” (A Filosofia na Época Trágica dos Gregos, § 4).

Primeiramente Nietzsche vai dizer que o ápeiron não se põe como um transcendente às coisas. Sua compreensão está no devir das coisas. Pois, se os quatro elementos não podem ser causa de sua geração e morte, o que é determinante e eterno nesse fato é o movimento que não se determina, nem se apreende, muito menos se especifica. Não está na ordem das coisas que apreendemos e conhecemos. Ela marca – e isso só é possível na observação das coisas – a geração e corrupção do que existe. Ela não é externa enquanto fundamento último enquanto um sentido de criador, fundador, iniciador. Mas se encontra gerando, fundando, iniciando as coisas tão intrínsecas a elas quanto fora delas. Em Nietzsche outra tradução, que recebe um viés kantiano da coisa-em-si, para ápeiron é indeterminado (palavra comumente surgida nos manuais de filosofia contemporâneos).
Mas, não só está presente a questão do ápeiron na exposição de Nietzsche. Como o trecho traduzido mostra, a tradução nietzschiana remete a um caráter ético e moral – Cabe um adendo aqui. Pensemos que toda filosofia ou modo de pensar de um filósofo possui uma marca que se encontra inclusive em sua interpretação, ainda que ela não condiga com sua concepção –. Voltando à nossa questão, quando Nietzsche pensa essa tradução, ele propõe que Anaximandro ao debruçar-se sobre o pensamento metafísico, pensaria do seguinte modo:

“O que vale vosso existir? E, se nada vale, para que estais aí? Por vossa culpa, observo eu, demorais-vos nessa existência. Com a morte tereis de expiá-la. Vede como murcha vossa Terra; os mares se retraem e secam; a concha sobre a montanha vos mostra o quanto já secaram; o fogo, desde já, destrói vosso mundo, que, no fim, se esvairá em vapor e fumo. Mas sempre, de novo, voltará a edificar-se um tal mundo de inconstância: quem seria capaz de livrar-vos da maldição do vir-a-ser?” (Nietzsche, A Filosofia na Época Trágica dos Gregos § 4).

A questão moral que emerge da questão acerca da corrupção dos seres no eterno devir, no vir-a-ser em princípio determinado e sem vistas a um fim com sentido. A ausência de sentido e o eterno pagar pela injustiça do próprio corromper das coisas, ao mesmo tempo em que emerge aquele que pergunta o coloca nas sombras da ausência de resposta e do contato com esse devir. Um devir que do vir-a-ser poderia receber a marca de ser que da injustiça enquanto corrupção poderia insurgir a justiça. Mas, que manteria sempre a obscuridade de quem numa pergunta sincera não obtivesse resposta e ficaria sempre na obscuridade. Nesse sentido Nietzsche diz “Quanto mais se procurava aproximar-se do problema […], maior se tornava a noite” (Nietzsche, A Filosofia na Época Trágica dos Gregos, § 4).

Martin Heidegger, tirando o caráter moral enfatizado por Nietzsche e colocando Anaximandro na história do ser ao longo da metafísica ocidental, muda profundamente a compreensão da sentença. E, depois de muito discorrer sobre as palavras e seus significados, a tradução do filósofo em questão foi a seguinte:

“Segundo a mantença; deixam pois ter lugar o acordo e assim também o cuidado, um para o outro (no penetrar e assumir) do des-acordo” (Heidegger, A Sentença de Anaximandro).

Seria demasiado longo discorrer através de todo caminho empreendido por Heidegger para chegar a essa tradução e, por conseguinte, outra compreensão do que Anaximandro quis expressar. Mas, a partir dessa enorme diferença de traduções, podemos encontrar a gama de possibilidades de adentrarmos no pensamento de quem deixou para a tradição sua contribuição. Heidegger afirma que o filósofo foi alguém que escutou o clamor do ser que com o passar do tempo foi esquecido enquanto questão. E o que nos restou disso? Heidegger postula que ainda há no homem a vontade de conquista dessa totalidade do ente em que esconde o ser em sua simplicidade através do esquecimento.

Mas, como não perder essa questão fundamental de vista? O Filósofo da Floresta Negra pergunta de modo mais enfático, profundo ao mesmo tempo enigmático: “Existe ainda salvação? Ela é apenas e somente é, se o perigo for. O perigo é quando o ser vai ao extremo e faz voltar sobre si o esquecimento, que provém dele mesmo” (Heidegger, A Sentença de Anaximandro). Não se vai ao mais profundo da questão, não se vai ao cerne do que nos toca primeiro, de modo seguro. O “perigo” relatado por Heidegger é também apresentado por tudo o que tira a segurança, a quietude, o sentimento de “sentir-se em casa”.

Apresentadas sinteticamente – e claramente circunscritas à nossa reflexão – as visões de grandes filósofos acerca de Anaximandro, resta-nos refletir alguns aspectos. Em todos eles o ápeiron, seja indeterminado ou ilimitado, ele se refere a algo que não é observável fisicamente. Num salto de hipótese poderíamos nos referir a um “ser” transcendente que dá sentido e existência para todas as coisas. Mas, filosoficamente as hipóteses devem ser fundamentadas e nenhum argumento de autoridade que não seja racionalmente passível de fundamentação pode ser aceito. O que nos resta? Pensar o indeterminado. Aristóteles parece ter pensado algo numa sequência causal quando demonstrou que algo é princípio sem ter princípio. Simplício foi quem se aproximou da visão dos filósofos alemães supracitados, quando viu no movimento eterno a geração e corrupção dos elementos fundamentais.

Mas, foi em Nietzsche e Heidegger que surgiram elementos a serem pensados que mais se aproximam do que poderíamos conceber (ou ao menos a mim parece mais concebível). Nietzsche com ares trágicos apresenta um Anaximandro que vê na inevitabilidade da geração e corrupção das coisas e da própria vida humana, algo que remete para a injustiça. Esse olhar ultrapassa o meramente físico tratado por Tales. Porém, abrange de tal modo a vida de quem a pensa, que se estende para o reino da ética. E a partir dessa as coisas são vistas como injustiças a serem expiadas. O sentido da vida começa a ser pensado, mas profundamente atrelado ao físico. A tragicidade humana se encontra em sua capacidade de transcender sem, contudo, desvincular do mundo do qual pertence.

Heidegger, por sua vez, ao ver a questão de Anaximandro no cerne da questão do ser, o coloca também em uma questão humana, vinculada à sua situação mais profunda: a inquietação. De certo modo, a inquietação não cessa quando se vai ao mais profundo da questão. Pois, esta quando mais se desvela, maior a tendência de se velar novamente quando se volta dela. Novamente a capacidade transcendente do homem diante do mundo. E novamente não uma transcendência que visa outro mundo, mas transcendência no mundo, a possibilidade de pensá-lo (o mundo) no que há de mais fundamental. Uma característica própria da humanidade. Mas, que não é vivenciada por todos, pois o caráter inquietante da existência é menos atrativo do que o conforto da vivência inautêntica em meio às ocupações cotidianas.

Seja indeterminado, ilimitado, vir-a-ser, devir, ser, etc., o que nos mostram os filósofos é que há uma unidade no todo. E “na busca” um conceito se forma, nomes são propostos, linhas de raciocínio são desenvolvidas, sistemas são construídos. Diante disso, tanto a meta dessa busca quanto o que se vislumbra quando se alça em direção a ela, necessitam de uma expressão que a desvele ainda que seu sentido ou referência não seja contemplado por outros. E nessa linha de pensamento me lembro de uma frase de Nietzsche em relação a Tales: “Assim contemplou Tales a unidade de tudo o que é: e quando quis comunicar-se, falou da água!” (Nietzsche, A Filosofia na Época Trágica dos Gregos, § 3).

Fonte: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/esporte/anaximandro-e-o-fundamento-indeterminado/51713

Teoria do Anaxímenes

Terceiro representante dos Filósofos de Mileto. Foi amigo e seguidor de Anaximandro e conhecia bem as teorias deste filósofo bem como as teorias de Tales, que acreditava que é a água o princípio de todas as coisas. Mas de onde vem à água? Anaxímenes pensava que a água é ar condensado e que o fogo é ar rarefeito e que o principal elemento que constitui as coisas é o ar ou o vapor e a eles as coisas voltam através de um movimento duplo onde o ar se  condensa e depois se rarefaz. 

O ar é infinito e se identifica também com a alma. Ele anima o corpo do homem e também todo o mundo. O Ar está em movimento eterno e possui vida. O mundo todo pode ser visto como um enorme animal que respira e a respiração é que lhe dá vida. E como a respiração é que lhe dá a vida, ela é a sua alma. É do ar que nasce todas as coisas presentes, todas as coisas do passado e as do futuro. Incluindo os deuses. É no ar que começa o movimento de todas as coisas.

Um dos exemplos que o filósofo encontra para sustentar suas teorias de rarefação e condensação é o de como o ar sai da nossa boca: se assoprarmos com os lábios mais apertados e com força o ar sai frio e se soltamos o ar com a boca bem aberta ele sai quente. O que muda portanto é a quantidade e a pressão que se imprime sobre o ar. Da mudança destas situações é que vão se originar todas as coisas. 

Desta forma tudo o que existe são diferentes formas de ar que é o que forma tudo. O ar sob a influência do calor se expande aumentando seu volume e sob a influência do frio se contrai diminuindo seu volume. Tudo vai depender se é o calor ou o frio que vai predominar.

Essa teoria Anaxímenes provavelmente formulou após identificar o ar em movimento  incessante. Percebeu também que a vida geralmente precisa do ar para se manter. Respirar é o que dá vida aos seres e dependemos da respiração por toda nossa vida. Ele percebeu ainda que no céu existem nuvens e que a matéria possui vários graus de solidez. O ar para ele é algo divino, ou mais, o ar é o próprio Deus.

Poucas notícias sobre a cosmologia de Anaxímenes chegaram até nós. Para ele a Terra a Lua e o Sol bem como todos os demais astros conhecidos na época, são planos e flutuam como se estivessem cavalgando sobre o ar. Todos os astros se movem ao redor da terra como se fosse um chapéu girando ao redor da nossa cabeça. A terra é feita de ar comprimido e o sol a lua e os outros astros também se originam da terra.

Para ele o sol também é terra que se movimenta mais rápido e por isso gera o calor próprio daquele astro. Foi o primeiro pensador a chegar à conclusão de que a luz da Lua vem do Sol. A Terra foi a primeira a se formar e dela ergueram-se as estrelas. As estrelas são fogo rarefeito. A Terra é plana e flutua no Ar assim como o Sol que é largo como uma folha e se desloca também através do ar.

Anaxímenes acreditava ainda que as estrelas não produziam calor porque estavam bem mais distantes da terra do que o sol.

Consta que ele escreveu uma obra intitulada Sobre a Natureza que foi escrita em prosa. Estudou também meteorologia. 

Sentenças:
– Da mesma forma como a nossa alma o ar nos mantém juntos, de forma que o sopro, bem como o ar, abraçam o mundo inteiro.

Fonte: http://www.filosofia.com.br/historia_show.php?id=9